Escrito por: Monique Beppler do Amarante
Nossa Diretora Social do Caxia e acadêmica do Curso de Direito, Monique Beppler do Amarante, esteve presente no 52º Congresso da UNE em Goiânia- GO juntamente com outros acadêmicos de Rio do Sul e demais campus da Unidavi e faz agora um relato sobre essa experiência incrível:
Para início de qualquer debate, é importante ressaltar que a União Nacional dos Estudantes – UNE é umas das entidades mais importantes desse país na concepção histórica e de luta real pelos direitos dos estudantes e defesa do Brasil. Basta recordar que a UNE existe desde 1938, e esteve presente desde então em todos os acontecimentos importantes da vida do país. Foi a UNE a primeira entidade a defender a criação da Petrobras na campanha “O petróleo é nosso”. Também ela esteve à frente das mobilizações contra o nazi-fascismo na Segunda Guerra Mundial. No entanto, o momento histórico que mais marcou a UNE fora com certeza a Ditadura Militar, pois o movimento estudantil foi um dos principais pólos de resistência da luta democrática e, por isso, muitos foram perseguidos, mortos e a UNE, banida. Mas, nem a tirania nos calou, jovens preferiram morrer a aceitar o estado de injustiça e desrespeito com nosso país, e por causa desses vieram as Diretas Já para por fim ao regime dos generais.
Já na década de 90, o movimento estudantil organizado foi capaz de lutar e derrubar um presidente e resistir ao processo de sucateamento da educação e entrega do patrimônio brasileiro.
Mas tratando da atual conjuntura da UNE, e eu como estudante que também milita pelas causas estudantis ressalvo antes de tudo que o movimento estudantil vive sim! Muitas pessoas e alguns setores da mídia em geral gostam de negar a luta dos estudantes no presente. Afirmam que a atual geração de jovens é alienada, que não corre atrás para que as coisas mudem e preferem pensar cada um no seu interesse. Isso pode até acontecer, temos provas de que os jovens estão acomodados, porém generalizar é complicado! Para muitos jovens do Brasil a vontade de lutar continua intacta, embora as características dos estudantes e do movimento estudantil de hoje sejam diferentes.
Nesse sentido, a UNE organiza regularmente fóruns e encontros democráticos e participativos que proporcionam a integração do movimento estudantil em todas as instâncias. Foi exatamente isso que aconteceu nos últimos dias 13 a 17 de julho em Goiânia –GO onde ocorrera o 52º Congresso da UNE (CONUNE), um grande evento que reuniu aproximadamente 10 mil estudantes de todo o Brasil, que juntos avançaram em debates importantes para os rumos da Educação, bem como na eleição da nova gestão da entidade e definição de propostas e lutas para o novo período.
Ciclos de debates muito importante foram desenvolvidos no Conune, dentre eles o Encontro Nacional dos Estudantes do ProUni, o Plano Nacional de Educação, regulamentação do ensino privado, democratização do acesso e permanência nas universidades, aspectos do ensino-pesquisa-extensão, reforma política, urbana, juventude entre outros.
Os gritos e palavras de ordem ecoavam a todo momento, 10 mil estudantes a uma só voz por uma educação de qualidade. Na pauta principal, a defesa da aplicação de 10% do PIB e 50% do fundo social do Pré-sal para a Educação.
Através do Conune, foi possível particularmente perceber a grandiosidade do nosso país, pessoas de todas as cores, raças, gêneros, idade, condições financeiras, opiniões, modos de pensar, reagir, falar... mas que juntos formam o nosso Brasil, essa é a nossa cara! Estudantes que enfrentaram dificuldades, estrada, frio, calor mas que fizeram questão de se encontrar em um evento livre e democrático para o bem da classe estudantil!
O Estado de Santa Catarina levou sua comitiva coordenada pelo Presidente da União Catarinense Derique Hohn, que por sinal representa com verdade e garra os estudantes catarinenses, estudante de Filosofia na UFSC que batalha diariamente pelos objetivos ao qual está destinado e eleito. Nossa região do Alto Vale do Itajaí levou cerca de 8 estudantes de vários cursos e instituições de ensino.
No entanto, se engana quem imagina que o movimento estudantil se resume ao congresso ou demais eventos de integração. É no dia a dia de cada curso universitário do país, dentro de cada diretório ou centro acadêmico (Das e CAs), nos DCEs, nas entidades municipais e estaduais, ao lidar com os desafios particulares de cada faculdade, de cada cidade ou região, que está a verdadeira força do movimento estudantil.
Há que ressaltar também que a UNE se constrói com equilíbrio e respeito ao ideal democrático, por isso a eleição para a Diretoria da UNE ocorre no Congresso e com igualdade perante todas as chapas, bancadas e lideranças que se organizam para representar a entidade e milhares de estudantes. Apesar de apenas uma tese ou uma chapa ser eleita, no Congresso os estudantes decidiram as lutas que a nova gestão deverá assumir, foram votadas as propostas consensuais e divergentes e no período de dois anos essa gestão trabalhará no sentido de cumpri-las, conforme os estudantes brasileiros votaram.
A bagagem que trago deste Congresso é imensa! No entanto, reafirmei as coisas mais simples e importantes pra mim, basicamente: acreditar no meu país, mas não da boca pra fora e sim concretizando algo pela sociedade e o coletivo; respeitar a diversidade do Brasil e sua unidade, pois nós somos brasileiros porque em nossa história também está o suor do nordestino, do carioca, do gaúcho, do amazonense enfim.. amar todos os estados e suas pessoas; acreditar na força dos movimentos sociais e ser instrumento de luta e voz na sociedade.
Além disso, o estudante precisa ter consciência de sua missão, aquele que se cala não tem nem mesmo o que reclamar. E estudante de verdade não luta no grito, mas sim no debate, na participação social e política, mantendo vivo o espírito dos muitos estudantes que já morreram por este país!
Mas veja bem, isso cabe a todo cidadão, não é preciso ser estudante para mudar as coisas, concordo que é fácil desmotivar-se ligando a tv, assistindo o CQC, por exemplo, parece que tudo está perdido e que nosso país não tem jeito não é?! Mas uma coisa é certa: se você acha que reclamando já está contribuindo para alguma mudança, ledo engado, pois aí é que você vive no profundo silêncio, porque ninguém vai lhe ouvir se você reclamar sozinho e sentado no seu sofá!
Não sabe por onde começar? Olhe para o seu município, preste atenção nas lutas e movimentos sociais, reúna pessoas e ideias, colabore na fiscalização do poder público, mobilize sua comunidade! Pode parecer difícil, mas é só começar acreditando que as mudanças são possíveis!
Ler este relato pode até parecer utópico, mas quem não participa de nenhuma luta, quem não acredita em seu país e na força que o cidadão tem para contribuir com uma nação mais igualitária e justa, este sim é que na verdade vive um sonho! Vive fora da realidade e longe do sentido que é viver em sociedade!



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